Tietê-Paraná de novo em risco

 

Hidrovia sofre com preferência por hidrelétricas

O transporte de cargas na Hidrovia Tietê-Paraná volta a correr risco de ser paralisado, a exemplo do que aconteceu em 2014. O motivo é a redução dos níveis das águas nas vias navegáveis para priorizar a produção de energia elétrica. A decisão, tomada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), responsável por coordenar e controlar a operação das instalações de geração e a transmissão de energia elétrica, dificultará a navegação das barcaças usadas para o transporte de produtos agrícolas em direção ao Porto de Santos.

A decisão do ONS e seus impactos no cais santista foram denunciados durante o 5º seminário Hidrovias Já, promovido pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS). Sem a hidrovia, essas cargas só chegam ao mar em caminhões, sobrecarregando o trânsito nos acessos ao porto.

Em 2014, o transporte foi afetado devido ao baixo nível do Rio Tietê, afetado pela severa estiagem e pelo desvio de sua água para a geração de energia. Na ocasião houve demissão de fluviários. A legislação, hoje, prioriza a utilização do recurso hídrico para a eletricidade. Durante os 20 meses de interrupção da navegação na Tietê-Paraná, foram prejudicadas sobretudo as cargas de longo percurso, como soja e milho embarcados em São Simão (SP) para descarga em Santos, e a celulose e madeira de Três Lagoas (MS).

Operadores hidroviários lamentam que se parta do princípio de que o País precisa de energia elétrica, sem analisar a necessidade de transporte mais barato para gerar carga e emprego. Especialistas fluviais lembram que acaba se gastando mais energia usando modais errados em detrimento de uma decisão governamental errada e totalmente antidemocrática e injusta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *